Sergipe realizou nesta semana um transplante de rim com doador falecido, consolidando mais um avanço relevante na rede pública de saúde. O procedimento ocorreu na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia, unidade contratualizada pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que recebe investimento anual superior a R$ 241 milhões para a execução de procedimentos de média e alta complexidade.
O paciente transplantado, Josenaldo Oliveira, de 25 anos, é natural do município de Nossa Senhora da Glória e convivia com a doença renal crônica há cerca de dez meses. Após o diagnóstico, ele iniciou tratamento no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), onde passou por hemodiálise e enfrentou intercorrências graves, incluindo convulsões e período em coma. A realização do transplante no próprio estado representa, segundo o paciente, a possibilidade de retomada da qualidade de vida e o fim de uma espera marcada por incertezas.
A retomada do transplante renal com doador falecido simboliza a ampliação do acesso a tratamentos especializados em Sergipe e reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para outros estados. Para o secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, o procedimento é resultado direto do fortalecimento das políticas públicas de saúde. Segundo ele, a iniciativa foi idealizada pelo governador Fábio Mitidieri e estruturada a partir de ações iniciadas ainda na gestão de Cláudio Mitidieri, em parceria com o Hospital de Cirurgia. O gestor também destacou a importância do gesto solidário das famílias doadoras para a consolidação da política de transplantes no estado.
De acordo com o diretor técnico do Hospital de Cirurgia, Rilton Morais, o transplante renal envolve um processo altamente complexo, que passa por rigorosa análise de compatibilidade entre doador e receptor. O projeto foi iniciado em 2022, com o credenciamento da unidade e a adequação da infraestrutura, avançando em 2023 com a formação da lista de pacientes aptos. O procedimento realizado nesta semana foi considerado bem-sucedido e marca a efetiva retomada do serviço em Sergipe.
O transplante só foi possível após a autorização familiar de um paciente vítima de acidente motociclístico, internado no Huse, cuja morte encefálica foi confirmada após quase dez dias de internação. Além do rim transplantado em Sergipe, também foram captados coração, fígado e córneas, beneficiando pacientes de Sergipe, Pernambuco e Espírito Santo. Segundo a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), Darcyana Costa, a agilidade na conclusão dos protocolos tem sido fundamental para salvar vidas e ampliar a resolutividade do sistema.
O contrato estratégico com o Hospital de Cirurgia garante, além dos transplantes de rim e fígado, cerca de 700 procedimentos cirúrgicos mensais e mais de 14,5 mil atendimentos ambulatoriais por mês, permitindo que serviços essenciais sejam ofertados dentro do estado.
